Análise a ‘The House of the Dead Remake’

★★ — A popular franquia da Sega está de regresso com cara lavada e repleta de zombies para disparar. Será que a nostalgia é suficiente para entusiasmar os fãs de longa data, ou, será que o tiro saiu pela culatra?

Uma viagem ao passado

Em pleno 2022, creio que seja difícil de explicar às crianças e, talvez alguns adolescente, que, antes de sessões de jogos online e mesmo antes das LAN parties, havia um local onde a grande maioria dos jovens dos anos 90 frequentavam para ter algum entretenimento sob forma de videojogos: o salão de jogos.

Para além dos incontornáveis matraquilhos e da mesa de bilhar, as imponentes máquinas de arcada povoavam estes salões um pouco por Portugal fora (e também no resto do mundo). A ideia mais comum de uma máquina de arcada é de ser uma cabine com forma de torres com um painel com botões, joysticks e um ecrã. Jogos icónicos como Street Fighter 2, Mortal Kombat, Tekken 3 e Metal Slug são apenas alguns dos títulos mais populares com este tipo de interface.

Depois haviam as máquinas de maior tamanho que replicavam carros com direito a volante, pedais e manete de mudanças. Daytona USA e Sega Rally são apenas dois dos maiores exemplos.

Para além deste tipo de jogos, havia, por um fim, um género de máquina de arcada bastante popular também: os de jogos de tiros com armas de plásticos, designadas pela indústria como light guns. E é aqui neste departamento que jogos como ‘Lethal Enforcers’, ‘Time Crisis’,Virtua Cop’ ou ‘Lost World: Jurassic Park’ se destacavam. A luminosidade intensa dos seus ecrãs e do som imponente que saía dessas mesmas máquinas, que, quando combinadas com outros jogos presentes no salão, faziam uma cacofonia quase hipnotizante e proporcionavam um ambiente eletrizante para quem passava pelos salões de jogos.

‘A Casa dos Mortos’ ao longo dos anos

Mas há uma franquia que reinava sob todas as outras. Estou a falar de ‘The House of The Dead’. O primeiro título saiu em 1996 no japão, tendo depois sido disponibilizado, no ano seguinte, fora do país asiático. Apesar dos gráficos dom aspeto poligonal, esta aventura que mistura ação na primeira pessoa e monstros mortos-vivos, o videojogo representou um sucesso sério para a Sega. Em 1998, a sequela foi lançada e elevou a fasquia: Gráficos mais realistas (para a época), ação frenética e o design dos zombies ainda mais assustador.

A franquia continuou com mais jogos, tendo tido lançamentos em consolas caseiras até final dos anos 2000. Até teve uma adaptação cinematográfica realizada pelo polémico realizador Uwe Boll. Mas quanto menos se falar desse filme… melhor.

Continuado: em 2018, surgiu ‘The House of The Dead: Scarlett Dawn’, que, à data que escrevo esta análise, continua apenas disponível em máquinas de arcada.

Agora, passados mais de 25 anos do seu lançamento original, chega-nos o remake de ‘The House of the Dead’. Está disponível em todas as plataformas do mercado, tendo sido priorizada a versão para a Nintendo Switch.

Será que o tiro no escuro foi certeiro ou terá o tiro saído pela culatra?

Esta análise tem como base a versão da Nintendo Switch.

Em primeiro lugar, o remake esteve a cargo da Forever Entertainment, a desenvolvedora polaca que também teve nas suas mãos o remake de outro título icónico da Sega: o Panzer Dragoon.

Apesar de ter sido um remake com bastantes altos e baixos, a confiança da empresa nipónica relativamente este estúdio europeu parece não ter sido abalada. À partida, ‘The House of the Dead Remake’ seria um projeto árduo de executar. Isto porque a tecnologia light gun, disponível nos salões de jogos e, até mesmo, nas versões caseiras, são quase impossíveis de replicar com os televisores disponíveis no mercado.

No entanto, há apenas um tipo de tecnologia que consegue replicar essa sensação vivida nos salões de jogos: os controlos gyro. Apesar de não ser a mesma coisa — afinal de contas uma light gun é muito diferente de um comando convencional — esta opção é uma boa alternativa face à falta de melhor.

Os “problemas” do remake

Em termos gráficos, The House of The Dead Remake cumpre. Não é deslumbrante mas também não é o serviço mínimo. A Forever Entertainment recriou o ambiente do jogos originais. Já no campo do desempenho, aí é que entornam o caldo. Há muitas texturas gráficas que “aparecem e desparecem” — o chamado “texture pop-in” — e, por momentos, há pouca consistência em termos de fps.

E relativamente à duração do remake? Na verdade, o jogo continua curto. Precisamos pouco mais de 30 minutos para chegar ao fim da aventura. No entanto, vão ser precisas mais umas horas para descobrir todas as combinações com percursos alternativos e aperfeiçoar a nossa pontaria.

Para além do modo arcade, esta nova versão de ‘The House of the Dead’ traz um novo modo: Horde. Basicamente é um modo com um número elevado de zombies para aniquilar. Em primeiras instâncias parece ser uma tarefa quase impossível, mas, com prática e dedicação, é algo que os fãs de longa data poderão focar-se.

Mas fora, os aspetos técnicos, há um elemento que brilha em ‘The House of the Dead Remake’: é a apresentação. O feeling de estarmos a jogar um título desta franquia continua intacto. A dobragem continua má, que, no contexto deste jogo, é perfeita, em todos os sentidos. A banda sonora, apesar de diferente em relação ao jogo original, mantém o tom sinistro da série.

Veredito

‘The House of the Dead Remake’ é uma fiel atualização do jogo original para as plataformas atuais. No entanto, as falhas nos campos técnicos comprometem, em grande medida, a relevância deste remake a longo prazo. Para uma franquia com mais de 20 anos de existência, merecia um jogo com cereja no topo do bolo.

Para os saudosistas dos salões de jogos, é um título obrigatório. De resto, não irá convencer meros curiosos.